quarta-feira, 12 de abril de 2017

Encontro do dia 08/04/17


A Comunidade Flor do Carmelo reuniu-se neste sábado para mais uma tarde de formação às 14:30 na Ermida São José. Começamos a reunião com a Via Sacra meditada com trechos das obras de Santa Teresa.Após esse momento devocional tivemos as Formações Paralela e Principal,nosso recreio e encerramento com  as Orações de Vésperas e Salve Regina.



A Quarema é um momento propício de oração , penitência e esmola. Junto com a Igreja e os Santos Carmelitas somos convidados á meditar sobre o sofrimento de Cristo.

Via Sacra com Santa Teresa de Jesus



I. JESUS É CONDENADO À MORTE
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Vede-o a caminho do horto! Que aflição tão grande Lhe ia na alma, já que, sendo todo paciência chegou a confessa-la e a queixar-se dela. (CP,26,5)
Verdadeiramente, é sinal de grande humildade deixar-se condenar injustamente e não se defender, pois é imitação perfeita do Senhor que assumiu todos os nossos pecados.




II.JESUS TOMA A CRUZ NOS OMBROS
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

Pegai, filhas, a cruz, para que Ele não siga tão carregado! (CP,26,7)

...contemplai-o carregando a cruz, sem que os algozes o deixam respirar á vontade. Ele porá em vós, seus olhos tão formosos e compassivos, cheios de lágrimas e olvidará suas dores para consolar as vossas. Só quer, em paga que os busqueis e vos consoleis com ele e volvais a cabeça para o consolar! (Caminho de Perfeição 26,5)

III.JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Ó Senhor meu, quando penso nos muitos tormentos que padecestes sem de nenhum modo os merecer, não sei o que diga de mim, nem onde tinha a cabeça quando não desejava sofrer, nem onde a tenho agora quando me desculpo. Dai-me vossa luz e fazei-me desejar deveras que todos me aborreçam, já que tantas vezes vos deixei a vós, que me amastes com tanta fidelidade (Caminho de Perfeição 15,5.

Tropeçando, caindo, com Vosso esposo, não vos afasteis da cruz, nem a deixeis. (CP 26,70)


 IV.JESUS ENCONTRA SUA MÃE
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
A vida é longa, há nela muitos sofrimentos, e devemos ver como o nosso modelo Jesus Cristo os suportou. A companhia do Bom Jesus é proveitosa demais para que nos afastemos dela, o mesmo acontecendo com a da sua Santíssima Mãe (VI Moradas 7,13)




V.JESUS É AJUDADO POR SIMÃO CIRINEU
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

Ó, já que estais livres dos grandes sofrimentos do mundo, sabei sofrer um pouco por amor de Deus, sem que todos tenham de sabê-lo. Porque haveremos de querer tantos bens, deleites, glória, por todo e sempre ás custas do Bom Jesus? Já que não o ajudamos a levar a Cruz, como o Cirineu. (CP 11,3)



VI.SANTA VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

...pois quando penso Nele ou em sua vida e paixão, se recorda de seu mansíssimo e formosos rosto! (VI Moradas,9,14)



VII.JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
...Cristo é um amigo muito bom, porque O vemos homem, com fraquezas e sofrimentos, e permanecemos em sua companhia e, quando nos acostumamos, encontramo-lo com facilidade junto a nós. Este Senhor se viu privado de todo consolo, restando-lhe apenas os sofrimentos. Não O deixemos só, fazendo-o sofrer mais. (Vida 22,10,14)





VIII. JESUS CONSOLA AS MULHERES PIEDOSAS
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
...não vamos ao menos chorar com as filhas de Jerusalém? Haveremos de gozar com prazeres, diversões 



IX  JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Pelo mesmo caminho que Cristo percorreu devem passar os que o seguem. (Vida 11,5)
Se assim é Senhor que tudo isso quereis passar por mim, o que é que eu passo por vós?...

Marchemos juntos Senhor, pois onde fordes, terei de ir, por onde marchares, terei de passar... (Caminho de Perfeição,26,6)

X.JESUS É DESPOJADO DE SUAS VESTES
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

Pois como, Senhor é possível, que os anjos vos deixem só e que nem mesmo vos console o Vosso Pai?( Caminho de Perfeição 26,6)
XI.JESUS É CRUCIFICADO
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

Os contemplativos devem levar erguida a bandeira da humildade e sofrer todos os golpes sem dar nenhum, porque o seu ofício é padecer como Cristo, levando bem alto a cruz, não deixar sair das mãos por mais perigos em que se vejam (Caminho de Perfeição 18,5).






XII.JESUS MORRE NA CRUZ
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Ponde os olhos no Crucificado! E tudo vos parecerá pouco...se sua Majestade nos mostrou o seu amor com tão espantosas obras e sofrimentos. Como quereis contenta-lo só com palavras? Sabeis o que significa ser de fato espiritual? É fazer-se escravo de Deus, marcado com seu selo: o da cruz.(VII Moradas,4,8)





XIII.JESUS É DESCIDO DA CRUZ E ENTREGUE A SUA MÃE
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Mas o que deviam passar a gloriosa Mãe de Deus e essa santa bendita (Santa Maria Madalena). Que ameaças, que más palavras, que encontrões, quantos desacatos? Que cortesãos encontrariam entre aquela gente? Sim, haviam cortesãos mas do inferno, ministros do demônio. Por certo, deve ter sido terrível o que elas passaram, mas, diante d uma dor maior, não sentiram a sua. (Caminho de Perfeição 26,8)



XIV.JESUS É SEPULTADO

V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!
R. Porque pela vossa cruz remistes o mundo.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Ó Senhor e Bem meu! Como quereis que se deseje vida tão miserável? Não é possível deixar de querer e pedir que nos tireis dela, a não ser pela esperança de perde-la por Vós ou emprega-la em Vosso Serviço, e sobretudo pela confiança de estar fazendo a Vossa Vontade. Viver sem vós não é senão morrer muitas vezes? (Moradas 1,2)


Olha para Aquele que te olha!(Santa Teresa de Jesus)

Formação Paralela com Conselheiro João Paulo sobre os Documentos da Ocds 

Via Sacra exposta com quadros das 14  Estações

Nosso altar com nossas  padroeiras- Nossa Senhora do Carmo, Santa Teresinha e Santa Teresa de Jesus  

Formador Artur -Formação Principal Livro da Vida

Santa Teresa de Jesus Mãe dos Carmelitas descalços

Lucas, nosso representante do Carmelo Jovem na Famec 

Membros :Nilda e a inicinate Márcia

Casal Nádia e Erasmo 

Oração das Vésperas com a Salve Regina

A tua palavra Senhor é luz para o meu Caminho!

sábado, 1 de abril de 2017

SÃO NUNO DE SANTA MARIA (Nuno Álvares Pereira), Religioso Carmelita, o Santo Condestável, Herói Nacional Português.




São Nuno de Santa Maria, como dizia seu epitáfio, foi “o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos“. Dotado de grande gênio militar demonstrado em várias ocasiões em que se mostrou um digno defensor de Portugal, “suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge“, como bem descreveu o autor da inscrição gravada em seu túmulo, lamentavelmente destruído por ocasião do grande terremoto que abalou Lisboa em 1755.






Nascimento e infância

24 de junho (Natividade de São João Batista) de 1360 foi o dia de seu nascimento, mas a localidade permanece incerta. Era uma época de grande corrupção, em que imperavam os costumes dissolutos em várias camadas da sociedade.

Mesmo assim o jovem Nuno recebeu a melhor educação que na época se podia dar, e desde tenra idade manifestou capacidade de trabalho, grande inteligência e excelente raciocínio, sendo exemplarmente aplicado aos estudos, no que se distinguia entre seus irmãos pelo aproveitamento e saber. Detinha muita habilidade física demonstrada nos exercícios de força e destreza.

Recebeu ele sólida instrução religiosa, a qual não o revestiu apenas de conhecimentos, mas também da vida de piedade que lhe era o alimento espiritual para as atividades do dia-a-dia. Cultivou a virtude da castidade, associada a uma profunda devoção à Virgem Maria, Mãe de Deus.



Adolescência e casamento

Aos treze anos seu pai fez com que o jovem Nuno iniciasse nova vida, destinando-o a ser um cavaleiro: partiu então para a corte, tornando-se pajem de Dona Leonor, a Rainha.

Nuno amava a leitura, imergindo nos livros sobre a cavalaria, instituição medieval que ocupava importante lugar na sociedade da época. Os textos sobre o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda lhe causavam admiração. A leitura dos feitos militares o preparou para os encargos que lhe seriam confiados, e que ocupariam importante lugar na história da nação lusitana.

Três anos e meio passou Nuno na corte. A admiração por Galaaz (Galahad) – seu herói predileto na história do Rei Artur – o inclinou a preferir a virgindade celibatária ao matrimônio, tal como o lendário combatente, a fim de também praticar feitos heroicos, mas as intenções de seu pai o fizeram tomar um diferente rumo: uma permissão papal para que ele desposasse sua prima Leonor de Alvim, e também a concordância desta, precederam o comunicado ao jovem Nuno, então com dezesseis anos. Atônito com a informação que seu pai lhe transmitia somente ao fim de uma seguidilha de providências, Nuno pediu tempo para pensar, mas o genitor insistiu na ideia através de Iria, sua mãe, a qual teve como resposta a informação de que ele decidira permanecer solteiro. Não satisfeito, o pai de Nuno provocou nova investida através de um primo e um genro, ambos amigos íntimos de seu filho, sendo finalmente obtido o consentimento para as bodas, as quais foram realizadas sem festa por ser a noiva uma jovem viúva.

Com a esposa, Nuno passou a ter uma vida pacata, administrando suas propriedades. Participava diariamente de duas Missas (três, nos dias santificados), e nas viagens fazia-se acompanhar de um sacerdote para não faltar ao Santo Sacrifício. Após o primeiro ano de vida matrimonial nasceu a primeira filha do casal, Beatriz, e posteriormente outros dois filhos (que morreram com pequena idade).


Nuno, o combatente

De estatura média e bem proporcionado, Nuno tinha pele clara e cabelos ruivos, com uma pequena barba pontiaguda. Suas sobrancelhas eram arqueadas, abaixo das quais brilhavam olhos pequenos, porém vivos e expressivos, e, compondo a face, nariz fino e pontiagudo e boca pequena. Sob um aspecto aparentemente franzino, Nuno exibia uma constituição forte e robusta, própria a suportar a vida guerreira, só superada pela grandeza de alma e fortaleza cristã que detinha.

As circunstâncias de então não permitiram que se estendesse por muito tempo a vida tranquila do feliz casal: inicia-se uma guerra entre dois reinos – Castela e Portugal – e Nuno tomou as armas a pedido do rei, iniciando assim um novo capítulo na história de sua vida. Chegado pouco antes à maioridade, Nuno ardia em desejos de servir à pátria, e assim passou a ostentar audácia e valor como guerreiro, sendo seus feitos admirados pela nobreza e pelo povo.

Em 1383 o rei português D. Fernando morrera sem deixar descendência masculina para herdar a coroa, e sua filha única – Da. Beatriz – fora casada naquele ano com o rei castelhano Juan. A insatisfação em Portugal para com a rainha Da. Leonor, que regia o país em nome da filha, era grande, querendo-se que o Mestre de Avis (filho natural do falecido rei D. Pedro I) ficasse à frente do reino, evitando-se assim que o país fosse anexado a Castela. A rainha regente preferia a anexação, por motivos familiares: sua filha Da. Beatriz havia se casado com o rei castelhano. Essa situação causou o chamado interregno, ou crise de 1383-1385, sendo um período de guerra civil e anarquia na história lusitana.

As habilidades guerreiras de Nuno foram por todos admiradas na Batalha dos Atoleiros (06 de abril de 1384, véspera da Quinta-Feira Santa), em que novas técnicas para defender as forças de infantaria frente a um número superior de inimigos mostraram-se eficazes: houve muitas baixas entre os castelhanos, bem mais numerosos, não havendo uma única morte entre os combatentes portugueses, motivo de especial reconhecimento pela proteção divina (o próprio comandante havia estimulado a todos os membros de suas tropas a que confiassem em Deus e em Nossa Senhora).
Porém, na Batalha de Aljubarrota (14 de agosto de 1385) é que foi selada a derrota definitiva dos castelhanos, imposta pelo rei português D. João (reconhecido como ocupante do trono pouco antes, em 06 de abril, primeiro aniversário da Batalha dos Atoleiros) e seu fiel Condestável, Nuno, tendo sido este último quem definiu inteligentemente o local onde o combate seria travado, pois pôde estudar a área com antecipação (chegaram a se utilizar de táticas defensivas utilizadas vários séculos antes, pelas legiões romanas).
Sendo véspera da Assunção da Virgem, o costume impunha que fosse feito jejum naquela data que antecedia a festividade mariana, e nesse estado o combate foi iniciado, e vencido (momentos antes de iniciada a batalha os soldados participaram da Santa Missa, podendo comungar todos os que o desejaram, tendo havido disponibilidade para confissões no dia anterior). Apesar das buscas feitas pelos portugueses aos castelhanos vencidos, a fim de exterminá-los, o Condestável Nuno deu ordem para que fosse suspensa a perseguição, dando trégua aos combatentes fugitivos para que se evadissem, salvando assim suas vidas. E assim D. João I foi consolidado como rei de Portugal, iniciando a dinastia de Avis: estava satisfeita a ambição de Nuno, que o queria como rei, mas nem por isso depôs as armas, pois de outras batalhas teria ainda de participar (muitas partes do território português ainda se encontravam em poder do rei de Castela, sendo ansiada a sua recuperação).

Em certa ocasião, três batalhões retomavam cidades que haviam caído sob ocupação inimiga. No local chamado São Félix os habitantes recusaram render-se ao comandante Vasques da Cunha, dizendo que só se renderiam ao batalhão de Nuno. Vasques irritou-se profundamente, estando a ponto de invadir a localidade, mas seus companheiros fizeram-lhe ver que assim seria vertido sangue desnecessariamente, obrigando o comandante a conter sua raiva. E depois os habitantes renderam-se pacificamente às tropas de Nuno.



Condestável de Portugal

O rei D. Fernando havia criado o cargo de Condestável do Reino, confiado em 1382 ao Conde de Arraiolos. Nuno foi o segundo a receber tal título (que lhe foi conferido em 1384, detendo-o até à sua morte em 1431), que caracterizava quem o detinha como a segunda pessoa na hierarquia militar portuguesa, depois do monarca. A ele estava atrelada a responsabilidade de comandar campanhas militares na ausência do rei, e a manutenção da disciplina no exército.









A virtude angélica

Nuno levava muito a sério a questão da moralidade entre seus criados e vassalos, estimulando-os no sentido de levarem uma vida correta. Procurava regularizar e auxiliar os matrimônios, banindo de suas terras os relapsos e recalcitrantes.

Com o aumento de seu poderio e popularidade, Nuno passou a ter sua autoridade respeitada pelos seus homens, e decidiu acabar com o costume da companhia feminina no exército, o que quase causou uma sublevação dos comandados, mas a inflexibilidade do Condestável venceu. Os soldados foram convencidos de que tinham obrigação de cumprir seus deveres para com a religião. Mais tarde, Nuno admitiu que aquela ordem lhe fora de dificílima execução, e que nunca receara tanto uma batalha como aquele momento em que a dera.

Além de promover a castidade, Nuno vigiava de perto os seus soldados, não lhes permitindo jogos de azar e outros vícios.



Ofensa ao patriotismo lusitano

Morta a esposa do rei Juan de Castela, a princesa Da. Beatriz (que contava dez anos) fora dada em casamento ao monarca viúvo por seu pai, o rei português D. Fernando, de quem a morte já se aproximava. Era uma tentativa de evitar problemas políticos que poderiam surgir com os castelhanos por causa da rainha Da. Leonor, sua esposa (detestada por numerosos membros da sociedade) estipulando-se que desse matrimônio sairia o herdeiro do trono português.

Aos esponsais compareceram importantes membros da aristocracia lusitana, além da rainha Da. Leonor (o rei, enfermo, não pôde se fazer presente). Nuno e seu irmão Fernão estavam nessas bodas, e após cumprirem os deveres de cortesia para com os numerosos convidados depararam-se com uma situação inusitada: os lugares que lhes estavam reservados em uma mesa haviam sido ocupados por outras pessoas, que ali se banqueteavam, desrespeitando as obrigações sociais, políticas e diplomáticas. Nuno então se dirigiu ao irmão, dizendo: “Nós não temos prol nem honra de aqui estar. Vamo-nos, pois, para a nossa pousada. Mas antes disso eu quero fazer com que estes, que tão pouco nos prezaram e nos escarneceram, fiquem eles escarnecidos”. Não por amor próprio ofendido, e sim por patriotismo ofendido, Nuno levantou a tábua da mesa com as mãos, e com a perna derrubou-lhe a sustentação, fazendo com que fosse ao solo tudo o que sobre ela estava. E em seguida abandonou serenamente o recinto, onde estavam o rei Juan de Castela, a rainha Da. Leonor de Portugal, e numerosos convidados boquiabertos. Tendo pedido informações sobre aquele senhor, o rei Juan inteirou-se de quem era Nuno: vaticinou então que quem assim procedia em semelhante ocasião seria capaz de proezas ainda maiores.



Profunda religiosidade e respeito para com as coisas sagradas

A religiosidade sempre esteve presente na vida de Nuno. Ao elaborar sua bandeira – estandarte militar – tomou ele o cuidado de nela inserir componentes religiosos, o que lhe permitia (e a seus comandados) ajoelhar-se diante dela para implorar a ajuda da corte celeste em cada empreitada. Era uma bandeira branca, dividida em quadrantes pela cruz de São Jorge, apresentando uma cena da crucifixão (com a Virgem e São João aos pés de Cristo agonizante), uma cena de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços, e os guerreiros São Jorge e São Tiago ajoelhados um frente ao outro (e a cruz branca sobre fundo vermelho, emblema dos Pereiras, atrás de cada um destes últimos).

Vencida a batalha dos Atoleiros, Nuno dirigiu-se no dia seguinte (Quinta-Feira Santa de 1384) à capela de Nossa Senhora da Assunção, nas proximidades, a fim de render graças pela vitória obtida, mas entristeceu-se profundamente até às lágrimas ao perceber que o templo havia sido profanado pelos inimigos, que em passagem por ali a utilizaram como cocheira para seus animais. Ele próprio pôs mãos à obra, iniciando a limpeza a fim de devolver a capela ao culto.

Mesmo em tempos de guerra, Nuno assistia (“ouvia”, como se dizia na época) diariamente a Santa Missa, duas vezes se possível, e até mesmo três em dias especiais, e para isso sempre se fazia acompanhar de ao menos um sacerdote nas viagens e deslocamentos. Tinha momentos definidos para as orações, e, quando não os podia respeitar face aos deveres militares, resgatava-os depois, usando os momentos que deveria destinar ao repouso. Desde a infância habituara-se a rezar as matinas, chegando a receber o apelido de “Nuno Madruga”. Diariamente fazia a confissão sacramental, com confissão geral quatro vezes cada ano (vigílias do Natal, Páscoa, Pentecostes e Assunção da Virgem); nessas festividades recebia a comunhão, o que era considerado exagero em uma época em que a recepção desse sacramento ocorria raramente. A quem manifestava objeção, respondia Nuno que a força nos combates por ele manifestada tinha origem na Eucaristia.

Certa vez, um dos soldados de Nuno cometeu um sacrílego roubo em uma igreja, ao se apoderar da mais sagrada das alfaias litúrgicas: um cálice. Julgado pelo gravíssimo crime, o ladrão foi condenado à fogueira, mas o Condestável escutou as súplicas de seus companheiros, comutando a pena quando o fogo já começava a arder: expulsão do exército, com proibição de combater sob sua bandeira, o que para alguns soava como algo pior que a morte.

Quando o Santíssimo Sacramento era exposto, não era fácil a Nuno ausentar-se, e chegava mesmo a deixar de lado as refeições. Vultosas doações para aquisição de paramentos e objetos litúrgicos eram por ele feitas, inclusive cera e azeite para velas e lamparinas destinadas ao culto. Custeou Nuno a construção de numerosas igrejas (inclusive a que foi dedicada a Santa Maria da Vitória, em Batalha), e também o Carmelo de Lisboa, onde findou seus dias.

Em todos os combates, portava Nuno um relicário com um fragmento do Santo Lenho. Tinha também relicários nos quais havia relíquias de numerosos santos a quem tinha especial devoção: Santo Tomás de Aquino, São Cosme, São Damião, São Silvestre Papa, Santo Ambrósio, São Gregório Magno, Santo Agostinho, São Bento, São Bernardo, São Domingos, São Francisco, alguns apóstolos e evangelistas, e vários mártires dos primeiros tempos da Igreja, entre outros. Também mantinha em relicários fragmentos de lugares e objetos veneráveis: Santo Sepulcro, Presépio, Casa de Loreto, e também o Agnus Dei (cera do círio pascal bento pelo Papa).




Viuvez e entrada no mosteiro da Ordem do Carmo

Nuno e Leonor tiveram uma vida matrimonial exemplar, apesar dos afastamentos do Condestável para o serviço da pátria. Em 1387 Nuno mais uma vez deslocou-se em viagem para atender um chamado do monarca, como procurador dos fidalgos do reino.
Tendo-lhe chegado a notícia de que sua esposa adoecera gravemente, viajou para o Porto, cidade onde ela se achava, mas não a tempo de encontrá-la com vida. Ficara ele viúvo com apenas 27 anos, tendo como familiares próximos sua filha e sua mãe, tendo esta última chegado à idade longeva (morreu com quase cem anos). Do casamento de sua filha Beatriz com o Duque de Bragança originou-se a Casa de Bragança, que reinaria em Portugal a partir de 1640.
Alcançada a paz no reino, o Condestável, tendo distribuído seus bens (detinha uma das maiores fortunas da Península Ibérica) e perdoado todas as dívidas, ficou apenas com a roupa que vestia, e aos 62 anos ingressou na ordem carmelitana, onde a vida contemplativa era a sua única ambição.







Sua chegada ao convento teve a participação de toda a comunidade ali residente, da qual recebeu as boas vindas, Condestável de Portugal dirigindo-se o novo irmão à igreja onde – prostrado diante do altar e com olhos lacrimejantes – agradeceu a Deus por ali, finalmente, estar. Desfazendo-se até mesmo do nome de família, passou a chamar-se Nuno de Santa Maria.
 Na cela de seu uso, cujo mobiliário era composto por um leito formado por duas tábuas, havia apenas dois cobertores grosseiros (um para cobrir as tábuas, e outro para cobrir o religioso), um Crucifixo, e os instrumentos pessoais de penitência. Durante sua vida conventual quase partiu para outra empreitada militar, mas o inimigo desistira quando soube que o Condestável o enfrentaria.
Ao tornar-se religioso carmelita, Frei Nuno redobrou as suas penitências corporais, fazendo uso dos instrumentos que para isso eram habituais (cilícios e disciplinas). Fazia jejum três vezes por semana durante todo o ano (diariamente por ocasião do Advento), jejuando também a pão e água aos sábados para honrar a Mãe de Deus. Percebendo o enfraquecimento corporal, seus superiores lhe determinaram sob obediência a mitigação dos jejuns, ordem cumprida no seu limite mas não a ponto de lhe lisonjear o paladar.

Morre o Santo Condestável

Aproximando-se o momento de partir para a eternidade, Nuno pediu os últimos sacramentos, tendo feito uma confissão geral que abrangeu toda a sua vida. Recebida uma vela (que portou na mão esquerda) e um Crucifixo (na mão direita), pediu que lhe fosse lida a Paixão, segundo o evangelho de São João: às palavras “eis o teu filho“, sua alma partiu deste mundo. Contava 71 anos e 11 meses, sendo seu corpo exposto na igreja do mosteiro, onde foi visitado pela quase totalidade dos habitantes de Lisboa que ali compareciam para dar adeus a seu valoroso compatriota. Beatificado em 1918 por Bento XV, o Condestável foi canonizado por Bento XVI em 26 de abril de 2009.

Fontes:
– Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, (http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/2009/ns_lit_doc_20090426_nuno_po.html)
– Vida e Obra de Dom Nuno Álvares Pereira, o santo condestável (G. Leslie Baker, Via Occidentalis Editora, 2009)
– A Vida de Nun’álvares (J. P. Oliveira Martins, Parceria A. M. Pereira Livraria Editora, 1928)

 Fonte: site dos Arautos do Evangelho (Revista dos Arautos)



terça-feira, 28 de março de 2017

Santa Teresa de Jesus,Mística



SANTA TERESA DE JESUS
Morro por que não morro

Vivo sem viver em mim,
E tão alta vida espero,
Que morro porque não morro.

Vivo já fora de mim,
Desde que morro d’Amor
Porque vivo no Senhor

Que me escolheu para Si;
Quando o coração Lhe dei
Com terno amor lhe gravei:

Que morro porque não morro.
Esta divina prisão
Do grande amor em que vivo,

Fez a Deus ser meu cativo,
E livre o meu coração;
E causa em mim tal paixão

Ser eu de Deus a prisão,
Que morro porque não morro.
Ai que longa é esta vida!

Que duros estes desterros!
Este cárcere, estes ferros
Onde a alma está metida.

Só de esperar a saída
Me causa dor tão sentida,
Que morro porque não morro.

Ai, que vida tão amarga
Por não gozar o Senhor!
Pois sendo doce o amor,

Não o é, a espera larga;
Tira-me, ó Deus, este fardo
Tão pesado e tão amargo,

Que morro porque não morro.
Só com esta confiança
Vivo porque hei de morrer.

Porque morrendo, o viver
Me assegura a esperança;
Morte do viver s’alcança;

Vem depressa em meu socorro,
Que morro porque não morro.
Olha que o amor é forte;

Vida, não sejas molesta,
Olha que apenas te resta
Para ganhar-te o perder-te;

Vem depressa doce morte
Acolhe-me em teu socorro
Que morro porque não morro.

Do alto, aquela vida
Que é a vida prometida,
Até que seja perdida

Não se tem, estando viva;
Morte não sejas esquiva;
Vem depressa em meu socorro,

Que morro porque não morro.
Vida, que possa eu dar
A meu Deus que vive em mim,

Se não é perder-te enfim,
Para melhor O gozar?
Morrendo O quero alcançar,

Pois nele está meu socorro
Que morro porque não morro.



Aniversário de 502 anos Santa Teresa de Jesus





Começa assim a escrever Dom Alonso Sànchez de Cepeda pai da santa abulense ,livro Teresa de Ávila, da escritora Marcelle Auclair , aos vinte e oito dias do mês de março do ano mil quinhentos e quinze, uma quarta-feira ,nasceu Teresa ,minha filha, às cinco horas da manhã ,meia hora mais, meia hora  a menos, aos primeiros alvores do dia.



O Ângelus da aurora começou a soar na igreja de São Domingos, depois,repicaram todos os sinos de Ávila:os de São João,São Pedro ,Santo Isidro e São Pelaio,São Gil,São Bartolomeu,São Vicente,Santa Cruz,São Cebrião,São Nicolau ,São Tiago,São Romão,Mósen Rubi,os da Catedral,e os dos Conventos:dos beneditinos aos carmelitas,das clarissas às agostinianas de Nossa Senhora das Graças,das franciscanas aos dominicanos de São Tomás.(...)Todas as vozes metálicas ,de todos os santos da Cidade fizeram vibrar as velhas pedras,porque Ávila não havia senão cantos e santos.
A menina recebeu o nome de Teresa ,em memória ,sem dúvida de duas da avós:a bisavó paterna,Teresa Sánchez,e a avó materna,Teresa de las Cuevas.








Foi proclamada em Setembro de 1970 a primeira Doutora da Igreja.Doutorado esse que já exercia durante sua vida de maneira tipicamente feminina.Esse doutorado dá enfoque á própria personalidade religiosa,sabendo ligar uma vida contemplativa intensa com uma atividade indomável;uma atividade espiritual,mistagógica que está no prolongamento do seu ser-mulher e de sua atitude de vida e por elas é carregada e inspirada na sua atitude de vida contemplativa .Trecho do livro Teresa de Ávila, Mulher-Mística –Doutora, Otger Steggink.


A vida de Teresa é uma constante busca da intimidade com Deus.Ela nos ensina a sermos também incansáveis nesta busca.Sua personalidade  foi realmente  extraordinária!  Escrevia como poeta,vivia de forma  mística e seu ardor missionário como fundadora  a fez fundar nada menos que 17 conventos na Espanha.Desapegada do mundo mais integrada na sua família de conquistadores espanhóis foi carmelita autêntica e um dos nomes mais geniais da literatura mística e dos Santos gloriosos de nossa Igreja.




quarta-feira, 22 de março de 2017

Os 25 segredos da luta espiritual que Jesus revelou a Santa Faustina

Como proteger-se dos ataques do demônio


Em Cracóvia, no dia 2 de junho de 1938, o Senhor Jesus ditou a uma jovem Irmã da Misericórdia um retiro de três dias. Faustina Kowalska registrou minuciosamente as instruções de Cristo em seu diário, que é um manual de mística na oração e na misericórdia divina.

Este diário guarda as revelações de Cristo sobre o tema da luta espiritual, sobre como proteger-se dos ataques do demônio. Estas instruções se tornaram a arma de Faustina na luta contra o maligno inimigo.

Jesus começou dizendo: ” Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual”. E estes foram seus conselhos:

1. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade.

A confiança é uma arma espiritual. Ela é parte do escudo da fé que São Paulo menciona na Carta aos Efésios (6, 10-17): a armadura do cristão. O abandono à vontade de Deus é um ato de confiança; a fé em ação dissipa os maus espíritos.

2. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome.

Em tempos de guerra espiritual, reze imediatamente a Jesus. Invoque seu Santo Nome, que é muito temido pelo inimigo. Leve as trevas à luz contando tudo ao seu diretor espiritual ou confessor, e siga suas instruções.

3. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração.

No Jardim do Éden, Eva negociou com o diabo e perdeu. Precisamos recorrer ao refúgio do Sagrado Coração. Correr até Jesus é a melhor maneira de dar as costas ao demônio.

4. Na primeira oportunidade, conta-a ao confessor.

Uma boa confissão, um bom confessor e um bom penitente são a receita perfeita para a vitória sobre a tentação e a opressão demoníaca. Isso não falha!

5. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações.

O amor próprio é natural, mas precisa ser ordenado, livre de orgulho. A humildade vence o diabo, que é o orgulho perfeito. Satanás nos tenta no amor próprio desordenado, que nos leva à piscina do orgulho.

6. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma.

A paciência é uma grande arma secreta que nos ajuda a manter a paz da nossa alma, inclusive nas grandes tempestades da vida. A paciência consigo mesmo é parte da humildade e da confiança. O diabo nos tenta à impaciência, a voltar-nos contra nós mesmos, de maneira que fiquemos com raiva. Olhe para você mesmo com os olhos de Deus. Ele é infinitamente paciente.

7. Não descuides as mortificações interiores.

A Escritura nos ensina que alguns demônios só podem ser expulsos com oração e jejum. As mortificações interiores são armas de guerra. Podem ser pequenos sacrifícios oferecidos com grande amor. O poder do sacrifício por amor desaloja o inimigo.

8. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor.

Cristo falava a Santa Faustina, que morava em um convento. Mas todos nós temos pessoas com autoridade sobre nós. O diabo tem como objetivo dividir e conquistar; então, a obediência humilde à autoridade autêntica é uma arma espiritual.

9. Foge dos que murmuram, como se da peste.

A língua é uma poderosa embarcação que pode causar muito dano. Estar murmurando ou fazendo fofoca nunca é de Deus. O diabo é um mentiroso que gera acusações falsas e fofocas que podem matar a reputação de uma pessoa. Rejeite as murmurações.

10. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.

A mente da pessoa é a chave na guerra espiritual. O diabo é um intrometido que tenta arrastar todo mundo. Procure agradar Deus e deixe de lado as opiniões dos outros.

11. Observa a Regra o mais fielmente possível.

Jesus se refere à Regra de uma ordem religiosa aqui. Mas todos nós já fizemos algum tipo de voto ou promessa diante de Deus e da Igreja e precisamos ser fiéis a isso: promessas batismais, votos matrimoniais etc. Satanás nos tenta para nos levar à infidelidade, à anarquia e à desobediência. A fidelidade é uma arma para a vitória.

12. Se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer.

Ser um canal da misericórdia divina é uma arma para fazer o bem e derrotar o mal. O diabo trabalha usando o ódio, a raiva, a vingança, a falta de perdão. Muitas pessoas já nos ofenderam. O que devolveremos em troca? Responder com uma bênção destrói maldições.

13. Evita a dissipação.

Uma alma faladeira será mais facilmente atacada pelo demônio. Derrame seus sentimentos somente diante do Senhor. Os sentimentos são efêmeros. A verdade é sua bússola. O recolhimento interior é uma armadura espiritual.

14. Cala-te quando te repreenderem.

Todos nós já fomos repreendidos em algum momento. Não temos nenhum controle sobre isso, mas podemos controlar nossa resposta. A necessidade de ter a razão o tempo todo pode nos levar a armadilhas demoníacas. Deus sabe a verdade. Deixe-a ir. O silêncio é uma proteção. O diabo pode utilizar a justiça própria para nos fazer tropeçar também.

15. Não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança.

A simplicidade da vida pode expulsar os demônios. a honestidade é uma arma para derrotar Satanás, o mentiroso. Quando mentimos, colocamos um pé no terreno dele, e ele tentará nos seduzir mais ainda.

16. Não te desencorajes com a ingratidão.

Ninguém gosta de ser subestimado. Mas quando nos encontramos com a ingratidão ou com a insensibilidade, o espírito de desânimo pode ser um peso para nós. Resista a todo desânimo, porque isso nunca vem de Deus. É uma das tentações mais eficazes do diabo. Seja grato diante de todas as coisas do dia e você sairá ganhando.

17. Não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo.

A necessidade de conhecer e a curiosidade pelo futuro são tentações que levaram muitas pessoas aos quartos escuros do ocultismo. Escolha caminhar na fé. Decida confiar em Deus, que o leva ao caminho do céu. Resista sempre ao espírito de curiosidade.

18. Quando o enfado e o desânimo bateram à porta do teu coração, foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração.

Jesus entrega a mesma mensagem pela segunda vez. Agora Ele se refere ao tédio. No começo do Diário, Ele disse a Santa Faustina que o diabo tenta mais facilmente as almas ociosas. Tenha cuidado com isso, porque as almas ociosas são presa fácil do demônio.

19. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.

O medo é a segunda tática mais comum do diabo (a primeira é o orgulho). A coragem intimida o diabo; ele fugirá diante da perseverante coragem que se encontra em Jesus, a rocha. Todas as pessoas lutam, e Deus é nossa provisão.

20. Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo.

Jesus pede a Santa Faustina que lute com convicção. Ela pode fazer isso porque Cristo a acompanha. Nós, cristãos, somos chamados a lutar com convicção contra todas as táticas demoníacas. O diabo tenta aterrorizar as almas, mas precisamos resistir ao seu terrorismo. Invoque o Espírito Santo ao longo do dia.

21. Não te guias pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, porem todo o mérito reside na vontade.

Todo mérito radica na vontade, porque o amor é um ato da vontade. Somos completamente livres em Cristo. Precisamos fazer uma escolha, uma decisão para bem ou para mal. Em que lado vivemos?

22. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras.

Aqui, Jesus está instruindo uma freira. Todos nós temos o Senhor como nosso superior (representado também pelos padres, confessores, diretores espirituais). A dependência de Deus é uma arma de guerra espiritual, porque não podemos ganhar por nossos próprios meios.

23. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas.

Santa Faustina sofreu física e espiritualmente. Ela estava preparada para grande batalhas, pela graça de Deus. Cristo nos instrui claramente na Bíblia a estar preparados para grandes batalhas, para revestir-nos da armadura de Deus e resistir ao diabo (Ef 6, 11).

24. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam.

Estamos todos em um grande cenário no qual o céu e a terra nos olham. Que mensagem estamos dando com nossa forma de vida? Que tonalidades irradiamos: luz? Escuridão? Cinza? A forma como vivemos atrai mais luz ou escuridão? Se o diabo não conseguir nos levar para a escuridão, tentará nos manter na categoria dos medíocres, do cinza, que não é agradável a Deus.

25. Luta como valorosos cavaleiros, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.

As palavras do Senhor a Santa Faustina podem se transformar em nosso lema: “Lute como um cavaleiro!”. Um soldado de Cristo sabe bem a causa pela qual luta, a nobreza da sua missão, conhece o Rei ao qual serve; e luta até o final, com a abençoada certeza da vitória.

Se uma jovem polonesa, sem formação, uma simples freira, unida a Cristo, pode lutar como um cavaleiro, um soldado, todo cristão pode fazer o mesmo. A confiança é vitoriosa.

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Para guardar as palavras de Jesus:

“Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração e, na primeira oportunidade, conta-a ao confessor. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma. Não descuides as mortificações interiores. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor. Foge dos que murmuram, como se da peste. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.

Observa a Regra o mais fielmente possível. E, se experimentares dissabores, pensa antes no que poderias fazer de bom pela pessoa que te faz sofrer. Evita a dissipação. Cala-te, quando te repreenderem; não peças a opinião a todos, mas do teu diretor: diante dele sê franca e simples como uma criança. Não te desencorajes com a ingratidão; não indagues com curiosidade os caminhos pelos quais te conduzo; quando o enfado e o desânimo bateram á porta do teu coração. Foge de ti mesma e esconde-te no Meu Coração. Não tenhas medo da luta: a própria coragem muitas vezes afasta as tentações, que não ousa então acometer-nos.

Combate sempre com a profunda convicção de que eu estou contigo. Não te guias pelo sentimento, por que ele nem sempre está em teu poder, porem todo o mérito reside na vontade. Nas mínimas coisas sê sempre submissa às superioras. Não te iludo com perspectivas da paz, e de consolos, mas prepara-te antes para grandes batalhas. Fica a saber que estás atualmente em cena e que toda a Terra e o Céu inteiro te observam. Luta como valorosos cavaleiros, para que eu possa recompensar-te; e não temas, porque não estás sozinha.” (D.1760)

Fonte: http://pt.aleteia.org/2015/09/01/25-segredos-da-luta-espiritual-que-jesus-revelou-a-santa-faustina/